quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dibujo



A moça tem 25 anos e é finlandesa. Estudou moda na Universidade de Arte e Design de Helsinki (a capital da Finlândia), só que percebeu que sua praia era ilustração.

Desistiu de desenhar, costurar etc e tal, e nunca sentiu saudade. Mas as passarelas continuam sendo para ela uma grande inspiração, o que fica evidente em seus trabalhos.

Confessa que sabe pouco sobre a moda daqui. "Eu já ouvi falar do Alexandre Herchcovitch, ele é brasileiro, né? Eu gosto bastante de umas coisas dele", diz Laura Laine, que começou a desenhar desde o momento em que segurou pela primeira vez uma caneta.

E essa é a Laura, em versão obscura e cool ― palavra que ela usou para agradecer o post (qualquer semelhança com o desenho acima não é mera coinciência):



*Mandei por e-mail umas perguntinhas para a Laura, e hoje (17) ela me respondeu. Post atualizado.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pontilhado


Hay veces. Às vezes sou amarela, clara. Amarelo-claro, uma cor que ninguém usa. Às vezes sou mancha, ladrilho sujo pela chuva que passou. E ninguém limpou (eu não limpei). Às vezes sou curva, duas vezes azul, traços rodopiando descontroladamente feito bailarina aprendiz. Piscina. Às vezes sou como o chão da piscina, flutuante, às vezes só consigo ver usando as lentes da água. Às vezes não dá pra pisar, às vezes faço um risco aqui, outro ali, e paro no meio. Sou xadrez. Às vezes soy roja, e o contorno é tão nítido como a lua no céu de um sítio. Às vezes viro uma página em branco, um ladrilho virgem de cor. Às vezes desenho uma, duas, três flores, e faço uma só nascer. Sou mandala, redonda. Às vezes sou só a linha que passeia pelos ladrilhos gastos de ouvir. Às vezes acho que o vir-a-ser está aqui, mas ele mora longe, numa casa muito engraçada, sem teto, sem nada. Ser-a-vir. Às vezes sou poltrona macia e furada. Cadê? Às vezes coloco todos os ladrilhos na parede, e se falta algum vou à loja da Turiassú buscar. Às vezes vejo e guardo (o banheiro pode precisar de mais um). Às vezes deixo-me quebrar, quero a nudez das lascas. Às vezes escrevem em mim e faz cócegas. Às vezes me fixam na parede, me chamam de número, me apontam nas ruas. Às vezes sou os quadradinhos todos amontoados, sou um chute, um estalo, fogos de artifício. Um pontilhado de ladrilhos sem ponto de partida nem chegada, traçado todos os dias.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Furto


O Dennis, amigo querido, não é fotógrafo, só que leva muito jeito para a coisa. Sempre achei suas fotos bacanas, mas acabo de entrar num link com as mais recentes e... caramba! Espero que ele não se importe: descaradamente roubei várias, aquela coisa ctrl c ctrt v, pronto, na minha pastinha! Pretendo abusar delas todas.

Foto: Dennis Wang

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Enchanté


"You know, happiness has many colours”, ela disse, já no fim da apresentação, e trouxe uma canção sobre “breaking up”. Smile, it’s ok. Faz tudo parecer leve, a Madeleine, apesar de cantar com acuidade canções incrivelmente tristes.

De cabelão longo aloirado, ela abriu o show com Instead, música de seu novo disco, Bare Bones. Instead é deliciosa, parece que fica tocando o show inteiro, nas entrelinhas. “Be happy that she’s your home”, ela canta, e eu penso: como eu gosto da nossa casa.

Depois veio Bare Bones. Don’t cry, baby, don’t cry. Era tristinha a letra, mas tive vontade de rir. Ri. “O que?”, a Vivi perguntou na hora. Até agora não tenho idéia.

Uma funcionária da limpeza observava, quase hipnotizada, encostada na parede com a vassoura em mãos, Madeleine Peyroux pronunciar com perfeição enchanté, embalada por palmas e gritinhos da platéia (tinha uma garota um tanto quanto histérica, um rapaz nada educadamente pediu para ela calar a boca).

O pessoal se empolgou muito com a Madeleine francesa. “Ah, l’amour...” – uma frase batida que, na boca dela, não tem nada de banal. Talvez porque a felicidade de Madeleine não seja óbvia, digestiva, ela não está interessada em servir ao público um p.f de lições sobre o amor. Tem algo de selvagem, arisca, parece o tempo todo meio incomodada.

Tira e põe o chapéu, diz mais de uma vez "saudade" e esforça-se para elogiar a platéia em português. “It’s too much”, diz. Em seguida, ela mesma traduz. “É demais!”. Não é a tradução mais correta, mas é, sem dúvida, a mais graciosa.

Fechou o show da maneira como abriu, com Instead. Se alguém não entendeu o recado, Madeleine reforçou com o bis: Smile.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ai de mim


Foi assim: num domingo à noite uma ligou para a outra e as duas concordaram, meio por inércia, em tomar uma cervejinha no boteco do bairro. Mas não era um domingo com potencial para o comodismo e o mal humor do garçom do boteco do bairro foi substituído pela porção de lulas fritas do bar da Augusta. Antes da comilança, porém, uma cutucou a outra e juntas apontaram para o que parecia ser uma loja, lá embaixo, acesa às 9hs da noite de domingo. Vamos dar uma olhada, né?

As duas, enlouquecidas, circulam pelos cubos brancos onde estão acomodadas as peças, os brincos, os sapatos, as bolsas. Uma tiara xadrez, saí de lá com uma tiara xadrez e certa de que voltaria em breve. Só não sabia que tão em breve.

Contei a história para outra amiga, que contou para outra amiga, e lá fomos nós para a lojinha, um trio, no domingo seguinte. Agora com mais calma, enlouqueci novamente. Desta vez, parei num cubo cheio de camisetas divertidas, provei várias e saí com uma sacola humilde, de novo. Aquietei.

Bom, daí que hoje eu recebo um e-mail com o título "Alguns Tormentos na Casa dos Criadores".

Sabe-se lá por quê eu decido acessar www.algunstormentos.com e lá estão elas, as blusas, todas as cores, todas as estampas. "Crie sua própria camiseta!", eles sugerem. E vejo ainda uma versão listrada da minha Amy. Que indecência! "Ahhhhhh", me diz uma das amigas que sabe o infortúnio que será negar a existência desse site. Mas a gente nega porque é assim que as coisas são. E a gente posta pra aceitar a compulsão (e guardar o link da marca para uso futuro*).

* é a segunda vem no dia que me vem à cabeça uma expressão do Walt Whitman. Mais cedo, no trânsito, a caminho do jornal, pensei: "que calor faz hoje nesta cidade populosa!". Saudade dele.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Diciembre, mamma mia!


Hoje tem festança. Dia de usar vestido verde e de sentir friozinho na barriga: vou subir no palco. Acho que a última vez foi na formatura, cismei em usar meu vestido longo florido. Ficou maior que a beca, minha mãe fez cara de mãe e disse "ô, filha!", mas achou graça que eu sei.

Hoje é dia de Prêmio Paladar!

E um pedaço do coração vaisimbora, mas volta. Já apressei o relógio.