quinta-feira, 3 de novembro de 2011

novembrina



Eu conheci, em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, uma mulher chamada Novembrina. Mas ela não tinha nascido em novembro.
O mês começou friozinho do jeito que eu gosto, perdi a conta de quantas vezes respondi com um blasé "é, né" à afirmação "o tempo tá tão feio, podia abrir um solzão!", e aquele sorriso grandão de solzão, calor, verão.
Ontem o Bruno apareceu no jardim às 7 da noite esfregando as mãos e disse: que frio, acho que vou voltar pra cama! não dá mais pra saber em que mundo estamos.
Ganhei um colar adorável com caveiras do Día de Muertos, é um colar com alma, como eu acho que são as coisas verdadeiramente mexicanas. Tenho vontade de não desgrudá-lo mais do pescoço.
Escolhi passar a semana comendo uma comida que não me fascina. Não sei por que escolhi, mas deve ser por algum motivo. Está sendo bom
Tem uma coisa rondando minha cabeça, entre tantas. Que é a frase da amiga tão daqui: pare com isso de achar que sua missão é só aqui.
Andei me reapaixonando pelo Giovanna Baby rosa...
Dia desses eu passei em frente à casinha que tanto namorei, havia placa de "aluga-se" de novo. Olhei, olhei, o rapaz perguntou "quer entrar?", eu tinha tempo mas me neguei. Como é que às vezes a gente sabe com tanta precisão quando é a hora de entrar, quando é a hora de não?
Comprei um maiô laranja vintage que é um luxo e vai ser tão irresponsável usá-lo na hidroginástica. Chega de maiô desbotado, vamos tirar o maiô laranja vintage lindo do armário todos os dias, certo?
Hoje de manhã ele disse: sabe que dia é hoje? Começa o inferno astral. Não sei não, Susan Miller estava tão generosa...
Desconfio de frases muito generosas, roupas muito felizes e gente que vai muito ao médico
Mas confio em recados deixados no box do banheiro, no carinho da minha gata & nas jabuticabas geladas. Logo, não sou confiável
Já começamos a pensar no Natal e no Ano-novo. A prima vai para o Taiti!, e a mãe? Ficará muito triste se não participarmos da reza na rua Irlanda este ano? Ficará. Mas o menino Jesus de Belém estará na mesa central, lembrando que estamos ali
Recebi um e-mail de uma ex-colega de trabalho dizendo preciso que você diga pra gente sinceramente qual o seu maior desejo para 2012, tem que ser só um
É mole?
Um dia eu gostaria de voltar a Cambará do Sul

Foto: homens trabalhando na reforma do casarão que abrigará o restaurante Garimpos do Interior, na Lapa, previsto para inaugurar...em novembro.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

i wander



Wander. To move about without a definite destination or purpose. To go by an indirect route or at no set pace. To proceed in an irregular course. To go astray. To lose clarity or coherence of thought or expression.

Como diria o Arnaldo Baptista, "yeah that's me, that's me, that's me"

(só que, como toda pisciana, o que ninguém sabe é que finjo de wander. eu costumo saber aonde minhas barbatanas estão me levando)

obs. existe sinônimo em português?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

guerreiros paraíbas em são paulo



12 horas com elas


Nas primeiras poltronas havia duas senhoras. Uma, crente, com rabo-de-cavalo baixo, cabelo grisalho, viajando ao lado do marido que tinha fala mole e aparecia quase nada. A outra, de óculos e cabelo grisalho batendo no queixo, vi no escuro, mas notei ter olhos vivos e ambiciosos. Como acontece muitas vezes, as duas conversavam mas não se ouviam. O que uma dizia servia apenas de trampolim para a outra dizer alguma coisa, numa egocêntrica aeróbica oral. "Eu já tive uma chácara em Mairinque, eu choro até hoje de lembrar", falava uma, e a outra emendava "eu tive uma chácara em Osasco". "Tenho seis binetos"; "eu tenho 4"; "eu moro perto da Vila Yolanda"; "eu morei no Vila Yolanda sete anos". Não perguntavam mas porque você saiu de lá, mas quantos anos têm os seus netos, eram naturalmente indiferentes à história da outra. Pode ser que voltem para casa mais felizes e contem ao filho "você não sabe a coincidência, viajei ao lado de uma mulher que é paranaense e mora em Osasco", e talvez realmente tenham se alegrado com o encontro. Pode ser o meu espírito neste fim de manhã de segunda, mas achei aquele pano de fundo de um desbotado triste e só triste.

foto: hamsters do playing pet da rua fidalga

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

alcançar escutar


Acho que estou encaretando. Acabei de escrever para uma amiga: que bom acordar cedo, sair do trabalho quando ainda é dia, passear com o cachorro no parque, fazer hidroginástica, passar no mercado, comprar flores talvez, comer um lanche em vez de jantar. E também eu disse: sim, você está certa, fique, fique, tenha paciência, não dá pra trocar isso por aquilo, quando é que se tem uma grana dessas no bolso? Estou considerando a paciência uma virtude de ouro, e foi me cair nos braços a jabuticaba, essa fruta que ensina a esperar. E de repente tudo o que eu dizia há 2 meses me parece justo mas não se ajusta mais aqui, é como se aquela certeza que antes pedia velocidade e pressa continuasse ali grande e se acomodando na poltrona, mas pedindo: vá devagar, que eu te alcanço.

se me veio me é


eu caminho seguindo
o sol
sonhando saídas definitivas da
cidade-sucata

isto é possível
num dia de
visceral beleza
quando o vento
feiticeiro
tocar o navio pirata
da alma
a quilômetros de alegria

(Floresta sacrílega, Roberto Piva)