sexta-feira, 21 de junho de 2013

casas


Nos últimos meses, temos flertado com algumas casas 
Hoje, depois de uma visita, penso que a dinâmica de procurar um novo lar é bem parecida com a do flerte humano
Tem casa que a gente namora pela foto e quando conhece pessoalmente nem parece a mesma do retrato. 
O oposto também ocorre: o dono da primeira casa que visitamos conseguiu ocultar no álbum de fotos sua parte mais bonita, um terraço inteiramente tomado por manjericão. Aposto que ele não via a hora de cortar aquele manjericão descontrolado que inutilizava seu quintal. Ainda me alegra a imagem daquele terraço de manjericão.
*
Toda casa, naturalmente, visitamos acreditando que pode ser a última. A gente pode até se enganar, mas a verdade é que sabe logo quando não. Às vezes eu não preciso nem passar da garagem.
No começo eu tinha uma lista grande de expectativas, aos poucos fui abandonando todas elas
Percebi que o importante pra gente, no fim, é que a casa seja original e tenha um quintal
Porque sem alma e sem flor é ruim de viver, né? 
Eu sei, no entanto, que quando for a casa certa na hora certa, pode até ser do tipo reformada e não ter quintal
Porque o que faz a gente se apaixonar por alguém (e por uma casa) é quase sempre o imprevisto, esse elemento que a cabeça não consegue explicar, mas o coração reconhece na hora
*
Nesta fase do flertar com as casas, tenho notado como é interessante a gente se relacionar com outras antes de escolher a nossa.
Hoje eu percebi que acabamos morando um pouquinho em toda casa que visitamos
Na casa do Alto da Lapa, por exemplo, nós demos muitas festas, e as tardes de domingo, cheias de garotos andando de bicicleta na rua, eram as mais gostosas; na casa da Lapa, colocamos uma grande mesa de madeira no terraço e fizemos muitos churrascos temperados com limão rosa do jardim, nos sentíamos em Ibiúna; na casa da Vila Romana, fazíamos piqueniques na praça, inauguramos nosso escritório e devolvemos a vida a um quintal de cimento.
Ao imaginar uma vida em cada casa, a gente reafirma alguns desejos, descarta outros e descobre novas e improváveis vontades 
*
Nas visitas, ele sempre passa um tempo a mais na janela, eu na cozinha. Quando um delira, escondendo os defeitos da casa porque está seduzido por uma de suas qualidades, o outro pesa e pondera.
*
Enquanto a nova casa não aparece, continua sendo certa a nossa. Tenho a impressão de que ela está vivendo seu auge: nunca esteve tão feliz, aconchegante e preenchida. 
Paredes que durante muito tempo permaneceram vazias de repente ganharam cores mexicanas e fotos em série. A fruteira nunca fica sem laranjas e bananas, no forno sempre há um resto de bolo. A cama presente da avó parece ter finalmente amaciado. 
Prestes a deixá-la, nunca amamos tanto a nossa casa.
*
Não acredito em casas com decoração de revista, não acredito em paredes só com molduras brancas e em pias muito limpas. 
Acredito em casas que estão sempre com um tapete meio sujo e que não escondem seus varais. 
Acredito em casas que começam vazias e, no mesmo compasso de seus moradores, vão ficando cheias. Não porque precisam, mas porque não têm opção, estão vivas.
*
Nos últimos meses, além de procurar uma casa para mim, me transformei na casa de outra pessoa. Há 12 semanas e alguns dias, tem um bebê morando na minha barriga!
Ele chegou me ensinando a saborear a vida em semanas, pedindo silêncio & calma, querendo leite, pêssego e purê de batata. 
Ele chegou na semana em que a gente oficializou nossa união, quinze dias depois de eu cortar o cabelo
Ele chegou me ensinando a ser engenheira, arquiteta, pedreira, eletricista, chefe de obra e tudo o mais que se precisa ser para erguer um edifício  
"Ela é jornalista", alguém me apresenta dia desses, e eu balanço afirmativamente a cabeça, mas tenho vontade de responder "sou grávida!". Me perguntam como estão os frilas e eu respondo "estou grávida!". A obstetra me disse que a partir da vigésima semana, quando começar a sentir o bebê mexer, é que vou me sentir realmente grávida. E eu só consigo pensar: "Mais?".


*foto: a sala da nossa casa, por Paula Desgualdo

** texto com óbvio débito, expressão que alguém já usou, ao texto "Aos noivos", do blog yRodar.








segunda-feira, 13 de maio de 2013

Jovelina Pérola Negra



Jovelina é minha bebê gata.
Ela é carioca e nasceu nas imediações de Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro, nos primeiros dias de outubro de 2012.
Foi o Jota quem a trouxe para nós, de avião, em novembro do ano passado. Nós dois vimos uma foto dela no Facebook, era toda preta e tinha apenas uma pata amarela listrada.
Era feinha e tremendamente charmosa, como é até hoje.
Conseguiu embarcar no último minuto, por um tremendo esforço conjunto, e sorte. Faltavam 10 minutos para o avião sair quando a Tam liberou o Jota e a Jovi.

Desde que ela veio morar conosco, eu e ela temos passado muito tempo juntas.
À tarde eu fico observando a Jovelina e a Abacaxi dormindo. Poucas coisas tiram seu sono: o barulhinho de ração sendo despejada na tigela, uma carta enfiada no vão entre a parede e a porta, uma visita.

O Jota chama a Jovi de Dóri, por causa daquela peixinha esquecida do Nemo: é que ela parece que se esquece que já comeu, e toda vez que a gente vai para a cozinha, não importa se tenha acabado de devorar um potinho de ração, ela chora pra comer mais.
Eu resisto, mas ele sempre cede. Coloca pelo menos duas ou três bolinhas de novo.

Por outro lado, sou eu quem deixa as gatas comerem queijos, iogurte, bolo, peixe, presunto. Tudo em micro doses, e só muito de vez em quando.
Eu acredito que minhas gatas sejam mais felizes por causa dessa minha atitude indisciplinadora.
Se elas não tivessem paladar como é que se explica o fato de a Abacaxi nem ligar se tem sashimi na mesa,  e a Jovelina enlouquecer diante de cubinhos de salmão cru? Mas é a Abaca quem não pode sentir cheiro de sorvete ou iogurte e lambe o pote até não sobrar nada, já a Jovi não dá a mínima.

Jovelina é tão desencanada que dormiu nos 45 minutos de voo que separam Rio de Janeiro e São Paulo. Fato que até nos deixou um pouco preocupados.
Quando me abaixei para vê-la dentro da caixinha, tão miúda, e nos olhamos pela primeira vez, nesse instante eu a amei.

Ela é desencanada, mas é inquieta.

Durante oito dias, morou dentro da caixinha no banheiro, para a irmã Abacaxi se acostumar com a sua presença. Até o quinto dia viveu sem se queixar. No sexto dia passou a miar toda vez que escutava as nossas vozes, como quem diz já chega, quero meu espaço.

No oitavo dia saiu, deixando por vários dias no banheiro seu perfume de violeta, que se eu fosse arriscar um cheiro e uma flor seriam esses. A Jé até perguntou "nossa, que perfumado que tá o seu banheiro, o que você passou?", eu disse que era o cheiro da Jovi e ela não acreditou.

E a Pequena Gata Preta (ou Bereba, ou Minhoca Preta) deu um susto em todos nós mês passado quando estava prestes a ser castrada. Jovelina pode ter meses, ou dias de vida, nós ouvimos. No fim, graças ao deus dos felinos, foi só um engano e ela estava plenamente saudável - como mãe e pai suspeitavam desde o início. Mas por conta dessa tutameia adiamos sua castração e o que se sucedeu foi que Jovelina agora tem tetas e ao que parece está em seu primeiro cio. 

Jovelina desde sempre me pareceu habitar uma espécie de espaço zen.
Nunca respondeu às rosnadas da Abacaxi com mais rosnadas
Também não responde emocionalmente aos carinhos da irmã, que cuida dela como um mãe
Não parece se incomodar tanto com as pulgas
Jovelina está, numa nice
Ama carinho, se ela está no seu colo e você de repente para de acarinhá-la, ela levanta a cabeça e faz "éééh", pra você continuar.
Ama colo, como eu sonhei que a Abaca amasse
Abaca nunca amou, é bastante original para uma felina na maneira de demonstrar seu amor: com lambidas diárias na minha mão, na minha bochecha, no meu nariz
Eu percebo que a Jovi fica olhando pra ela de maneira esquisita, quando me lambe, como se dissesse "mas nós não fazemos isso"
Às vezes eu acho que a Abacaxi é a criança, a Jovelina é a velhinha
Às vezes eu acho que a Abacaxi precisa mais da gente do que a Jovelina


Todos os dias eu as aperto (até demais), beijo (até demais) e digo a elas o quanto eu as amo e sou feliz por viver com elas.


Jovi, obrigada por ter pego aquele voo!


foto: em primeiro plano, Jovelina; no fundo sua amiga Verônica

terça-feira, 23 de abril de 2013

José e Pilar




Ontem assistimos ao documentário José & Pilar na televisão
ela fala espanhol com ele e ele fala português com ela, mas eles se entendem muito bem.
Ontem ficamos brincando de fazer perguntas um ao outro
Aquelas coisas que a gente só se pergunta quando é criança

Qual é o seu tipo sanguíneo?  A cor que você mais gosta? Sua cidade preferida no mundo? Se você fosse um animal, seria qual?
O+, branco, gavião, Cianorte.
Descobri que a comida que ele mais ama é um cozido de mandioca que nunca comemos juntos nem preparamos juntos. 
Mas a que ele mais ama e mais faz bem é comida japonesa.
Sua brincadeira preferida é "futebol", mas é esporte, "mas eu considero uma brincadeira, ué" .
*
Nossos restaurantes preferidos no mundo são exatamente os mesmos
*
Reafirmei minha paixão atual pelo azul, eterna por ovos fritos e cega pela Itália.
Eu também seria um pássaro se encarnasse bicho, então o lado bom é que você não precisaria dar um rasante no mar pra poder me namorar (porque eu já pensei em ser golfinho)
*
Se a gente perder mesmo todos os arquivos dos últimos três anos, eu te pergunto: o que você faria?

sexta-feira, 12 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

novo devendra

Porque é bom demais, né?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

fotos legais esquecidas



Arte do MoMa, em Nova York. Outubro de 2012.

terça-feira, 2 de abril de 2013

melhor elogio do ano


  Você é deliciosamente crazy baby!!!
 Assinado: Pai