quarta-feira, 13 de julho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

arnaldo


Arnaldo Baptista postou no Twitter "eu sou feliz" e linkou essa ilustração.

*copyright Arnaldo Baptista. Todos os direitos reservados.

presente


Pesquiso 'João Guimarães Rosa' na caixa de e-mail e acho uma conversa com a Pó, em agosto de 2008, dois meses antes de estrear o blog

"eu: o que vc acha de um blog chamado Calunga Cor-de-rosa?"

cada coisa no seu tempo, cada chuva no seu céu, cada fruta no seu pé. às vezes leva dois meses, às vezes um dia, às vezes três anos

e por hoje é só, que doce a gente come de pouquinho

tô lenta aqui, mas it's alright

sexta-feira, 17 de junho de 2011

melado de cana com farinha


É amor verde.
Tá crescendo no pé, deixa a gente tomado por aquela alegriazinha de ver o rosa do limão lá de longe, da varanda da casa.
Amor verde, músicas desconhecidas e improváveis com as mesmas velhas notas.
Rapaz tocando viola caipira lá no fundo do restaurante gaúcho, e você sozinha comendo abóbora camarelada com arroz e feijão completamente excitada. Amor novo é solitário, pode-se viver um amor novo ao mesmo tempo, mas nunca junto.
Montes de borboletas juntas saindo pelos olhos, amor verde é avó, uma bemquerença de vó que te invade e faz você achar o mundo certo só porque às 20h30 nós chegamos e ela vai estar lá, com os olhos vermelhos de quem acabou de acordar.
Cheiro seu pescoço cheirando a nenê, beijo sua barriga com pelos curtos de gata borralheira e deixo que me faça carinho no rosto mesmo que em algum dia venha a me machucar com suas unhas afiadas.
Em segredo, às vezes lasco um pedaço de queijo meia-cura e te observo comê-lo com prazer e gula comedida.
Faz um movimento esquisito e absolutamente charmoso quando, durante a brincadeira de esconde-esconde, nós nos aproximamos.
Tem rinite e sabe-se lá por que, levanta-se do pé da cama e sempre vem espirrar perto de nossos rostos.
Antes de beber água, afunda a patinha e dá uma lambida nela, como se cheirasse a taça de vinho.
E quando três dias depois você conseguiu devidamente eliminar a fitinha do Bonfim roxa que comeu, chorei de alívio, alegria e raiva por Ó céus quanta preocupação. Essa parte da alegria eu não sabia.
Amor verde consegue ser doce, cremoso e vermelho. Porque é novo, e o que é novo pode tudo.
(graças a deus existem máquinas de lavar, banhos de mar, cachoeiras, tendas a vapor e abraços)
Amor destamanhado, amor novo é um desafio aos físicos, ache um recipiente aqui, em Roses ou em Marte que o comporte.
Amor novo não tem tamanho nem quantidade muito menos nome e, com esses olhinhos, precisa?
Mas tem gosto, e eu diria que hoje está pra leite condensado com nescau, pra citar uma guloseima burguesa, ou melado de cana com farinha, que esse é o certo, e esse post não podia chamar diferente.
Piuí-Abacaxi, nossa mais que amada.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

As Pontes de Torres


Era noite, dormia no salãozinho e me deu vontade de buscar alguma coisa dentro de casa. Mas a escuridão não me impediu de atravessar o jardim escuro e fui andando sorrindo com os braços erguidos, tateando o ar para evitar esbarrões. E cheguei. Acordei feliz, é raro não sentir medo em sonhos (quantas vezes não inconscientemente me tranquei no banheiro daquele mesmo salãozinho, afungentada por cachorros invocados). Mas nesse sonho, não, não pensei duas vezes e atravessei. Em fevereiro, atravessei a ponte pênsil que interliga os litorais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e atravessei a fronteira dos 20 e poucos para os 20-e-bem-feitos. Aí fiz uma mistura boa (tipo a de ontem na panela, queijo brie, shiitake, manteiga e uma pimenta do reino que não deveria estar ali e foi perfeita). Pensei um sonho é impreciso e desconfiado como uma ponte pênsil, que é sustentada por cabos e tirantes, mas faz o diabo, faz a gente atravessar em segundos estados imaginários.

Ilustra: Linn Olosfsdotter

terça-feira, 31 de maio de 2011

para animar a terça-chuchu



"De repente, só por causa de um algodão-doce com flores, me animo e acredito"

(Nina Horta)

foto: Ladybird

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sir Brigadeiro


Coisa de morar na mesma rua que a avó: um dia, eu e minha prima tivemos um surto de vontade de brigadeiro e como não havia leite condensado na dispensa apelamos para a vovó. Caminhamos 7 minutos até a casa da rua Irlanda e inesperadamente não havia vovó nem tia nem ninguém ali (nem chave debaixo do capacho). A Manô, que sempre foi mais destemida e pé-de-moleque que eu, não desistiu. Saltou o portão de ferro e, toda suja e feliz, apareceu com a lata.

Não sei o que me deu mas eu, que nunca tinha tocado num fogão, decidi que seria a responsável pela preparação do pontífice dos doces brasileiros, el Brigadeiro. Não sei se é mais uma daquelas falácias da minha memória, mas lembro com nitidez da expressão da Manô quando me perguntou: "Você sabe fazer? Tem certeza?". Tenho. Não sabia, mas meu, era manteiga, leite condensado e chocolate em pó – não podia dar errado.

Vinte e cinco minutos depois, ela invadiu a cozinha e estranhou que eu ainda estivesse mexendo a panela. Meus braços doíam e o rosto esquentava. "Que que é isso? Você queimou todo o brigadeiro!". Queimei. Ficou intragável de um jeito que você levava à boca e tinha que cuspir imeditamente porque em 3 segundos virava uma bolota dura com gosto de nada. A Manô ficou tão brava, gritava que tinha se sujado e machucado as canelas para pegar a lata na vovó, e tinha sido tudo à toa, e como que eu tinha garantido que sabia fazer. Ainda estava com o rosto preto de sujeira, o que conferia dramaticidade à cena.

Após tempos traumatizados pela vil experiência do brigadeiro queimado, no ano passado decidi enfrentá-lo. Comprei os ingredientes e um dia perguntei aos meninos, depois do peixinho frito de sábado, se eles não queriam o doce. Postei-me em frente ao fogão e raciocinei que, se havia deixado queimar em 25 minutos, o tempo ideal deveria ser metade disso. Deixei 10 minutos, esfarelei bolacha maisena, adicionei morangos e finalizei com uma bola de sorvete de macadâmia.

A receita agradou tanto que não só foi aprovada, mas batizada - Fragolone é o seu nome. Virou tradição. Que jucundo prazer servir quem você ama de brigadeiro quente, que vaidoso prazer o dia em que ouvi dela “ninguém faz igual ao seu”.

Mesmo assim não relaxo, toda vez que me levanto para fazer brigadeiro fico pensando que ele vai queimar – e não tem uma vez que o cheiro não me avive a lembrança do hilário episódio compartilhado com a Manô.

Acho que lição de brigadeiro queimado deveria estar em panfletos de auto-ajuda: cozinhar qualquer coisa em excesso é prejudicial à saúde.


Foto: do blog Alma Obesa