segunda-feira, 3 de maio de 2010

Volare


Cala boca Zebedeu, o nonno não morreu. Está sentado em uma espreguiçadeira debaixo de alguma sombra em Polignano a Mare, com um casaquinho de linho, porque mesmo sendo primavera e mesmo sendo litoral, dizem que lá faz frio. Come polpetas com palitinhos Gina enquanto a lasagna de berinjela não sai do forno. Toca pife no rádio, e ele fecha os olhos e sorri. Seu sorriso é mais azul que o mar de Polignano. Aparece alguém e ele conta docemente indignado como a cama do hospital era desconfortável, e como foi massacrado por um exército apático de agulhas. Conta a história do ninho de mafagafos para um garotinho italiano. Ou do jacaré. Os braços não estão mais roxos, as bochechas já voltaram a ser rosadas, já recuperou o fôlego: consegue fazer suas caminhadas matinais e acabou com o saquinho de piccicatella que a neta lhe trouxe de Jericoacoara. Todo mundo quer ficar perto do nonno, dizem que está tão feliz que é provável que fique por lá. Se eu fosse ele, ficava. Almoçava ostras frescas no Da Tuccino, o restaurante da nossa família, tomava sorvete de massa nos becos. Sabia que no Ceará ninguém sabe o que é sorvete de massa? O nonno demonstra espanto fazendo um movimento com a boca, às vezes seguido de um "Barbaridade...". Nonno, Polignano a Mare é um pouco longe, talvez a gente não consiga te visitar em breve, mas sempre teremos Volare (Nel blu dipinto di blu).

5 comentários:

Anônimo disse...

Era Parmera, mas tinha alma de santista esse Nonno...

el pájaro que come piedra disse...

Era Parmera roxo, mas suspeito que o Nonno tinha alma de santista...

Nina Ramos disse...

Se tinha alma de santista eu não sei... mas o sorriso me cativou.
Saudades e só, gêmea.

ta disse...

gi meu amor!!!
... vc escreve lindamente!!
me emocionei lendo o seu post...
... espero que esteja bem!!!
beijos bem apertadinho,
ta

nana disse...

obrigada, minhas lindas!