sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

véspera da véspera


O que pode sair de um post escrito depois de umas 72 horas praticamente ininterruptas de trabalho, tirando umas quatro horas de sono por noite? Que nesse momento, com a mente quase formigando e esse calor ardido, os pelos da gata no vestido preto, o resto de Ades de maçã no copo, o velho guia Quatre Roues me namorando de novo, uma vontade de deitar com ele na rede em Jeri, eu registro que em 2012 eu não vou me fazer infeliz, eu não vou extrapolar. Mas aceito outros extras, e vou saber dizer muitas frases em francês. Au revoir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

dãnce, dãnce, dãnce


Uma fofura, meu alto astral de hoje. Via Tata

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

quando o gosto faz baldeação


"Já comeu jiló?" Ah, já, uma vez, achei normal, não tenho vontade de comer de novo. "Mas eu vou fazer jiló pra você, você vai amar, não tem como não amar os jilós da d. Cida". D. Cida, avó de duas pessoas queridas, nascida em Apucarana, no Paraná. Sei pouco sobre ela, que amava muito a neta, tinha um jeito certeiro com as plantas, evidentemente um pomar farto, e fazia jilós fritos maravilhosos. Provei o jiló da d. Cida e ele cheio de expectativa, e aí, e aí. Normal, eu disse, não podendo mentir gosto. Acontece que ele continuou fazendo às vezes nos almoços de sábado. Até que certo dia - não me lembro qual -, meses depois, os jilós da d. Cida me encheram a boca. Ele reparou, "ué, comendo mais jiló"? Parecia coisa do diabo, os jilós adquiriram um sabor exatamente do tamanho da minha boca, passei a desejá-los. Como cinco, seis, sete jilós numa mesma refeição, raspo a panela. Outro dia roubei dois jilós frios que sobraram na panela, e eu já tinha até comido a sobremesa. Até eu me surpreendi: quando eu ia me imaginar querendo jiló frio! Que alguns gostos a gente adquire magicamente, do mesmo jeito que não dá pra explicar como eu sei que o bolo de fubá neste momento no forno ainda não está pronto, mas logo estará.

obs. hoje, pela primeira vez, eu fiz jilós

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

biscoitos de lua

Enquanto o Corinthians se aproximava do título, fui fazer meus primeiros biscoitos. Encontro a receita da Marghi no e-mail. Mas tudo isso de amido? Não tem açúcar cristal, só açúcar gramixó... Como converter mg em ml? Não tá muito seca essa massa? E volta com a mão meio suja de farinha para o computador e confirma se a receita é essa mesma, nem um ovinho, nem um leite? Um pouco de leite, vai. Assim foi, quase tudo trocado, menos a quantidade de farinha e de maisena, que aí é mexer no sagrado. Comprei uma forma natalina na loja de panelas do Mercadão, minatura de estrela cadente, mas ou grudava a massa na forma ou saía meia estrela. A solução: bolinhas com a mão e depois amassa, amassa, como se batendo palmas, até que adquiriram esse formato da foto, agora tô achando que ficaram com textura de lua. Quase trinta minutos depois o cheiro que saía do forno não podia ser mais certeiro, estavam prontos, os biscoitos. Tive vergonha, tão feinhos, de uma cor estranha quero ser caramelo, grosseiros, biscoitos pra se comer numa cocheira tomando chimarrão. Mordi um. Estalou, subiu ao nariz um cheiro de amendoim, é a farinha de castanha do pará do Acre. Mas não adiantava, estava indisposta a gostar deles. E agora? Tento fazer suspiro? Não tem batedeira. Faço o já amigável pudim de leite, para amaciar o ego? Não fiz nada, fui ver televisão. Deixei-os lá na cumbuquinha de barro das paneleiras de Goiabeiras e, quando ele chegou, blasé eu disse "fiz biscoito". Mordeu. Parecia enfeitiçado, o sujeito que não gosta de biscoito - é certo que ele estava aquela noite com o apetite de um cão - comeu uns cinco de uma só vez. "Como você fez? Você consegue repetir a receita?", ele dizia, pedindo mais, eu desacreditando, quase que joguei a fornada toda fora. Mágica assim é o sonho de todo cozinheiro, acertar demais errando, mas que fazer se é verdade e aconteceu ontem comigo?

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

muitas rosas e uma festa


Recebi do Kamal, o homem que criou o souk El Tayeb, o primeiro mercado rural de Beirute.
Achei lindas e estão aqui hoje para celebrar o fim de um ciclo.
Rosas libanesas & uma festa, nada mal!
Quando passa da medida...adiós, bebida! - como disse um outro rapaz que entrevistei, o mexicano Mikel.
Amanhã, tem mais


terça-feira, 29 de novembro de 2011

aos sonhos, que nunca morrem


Maria Vitória sonha com uma torneira que, em vez de água, jorre coca-cola
João vislumbrava ganhar a bicicleta sorteada no álbum de figurinhas
Paula queria usar aparelho nos dentes, e chegou a rezar para que isso acontecesse
Rachel, quebrar o braço e ser empregada
Mônica desejava voar
Bianca também
Marco queria ter o poder de voltar no tempo e passear por algum momento do futuro
Ana Elisa sonhava em ser patinadora do Carrefour

Joana viveria feliz para sempre com Afonso Nigro, do Dominó
Jéssica queria ser estilista. Colava clipes nas unhas para fingir que eram gigantes
Olívia esperava o dia em que a Xuxa leria uma das 15 cartinhas enviadas a ela
Giuliana se imaginava sereia, com cauda roxa e a cara da Bela
Cecília queria ser motorista de caminhão
Eu queria que meus pelúcias falassem

Ilustração: Talita Nozomi

p.s. a intenção é que esse post cresça um pouco a cada dia

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

invisível


EU TE AMO
Só por causa de uma tortinha de maçã?
Só por causa de uma tortinha de maçã.

(só 10 minutos depois ela vê que há uma tortinha de maçã em sua mesa)

Amar é amar primeiro o invisível.

domingo, 20 de novembro de 2011

corolário


Hoje eu compreendo por que meu pai sempre insistiu demais para que comêssemos mais uma garfada de banana com açúcar, e perdoo todas as avós do mundo: que prazer enorme é alimentá-los!
Lá do quarto ouço o barulho dos teclados intercalados por Personal Jesus, ou o som da televisão ligada de madrugada, e sinto uma pequena paz
Andar no banco de trás do fusca, com a música muito alta no meu ouvido, escutando apenas alguns trechos de suas exaltadas contendas políticas
É impossível se sentir distante dentro de um fusca, talvez por isso antigamente as famílias fossem mais unidas. Culpa da iEra? Substitua metade dessas peruas brutamontes por fuscas e observe como as pessoas conversarão mais
Tem também a felicidade dela ao constatar que a geladeira está cheia, com coca-cola e o queijo que ela mais gosta
Ser testemunha do amor que vocês sentem um pelo outro.
Ontem, pela primeira vez, o garoto disse só "tô em casa"
Foi uma alegria que dormiu e acordou comigo
E hoje eu pensei que se conseguimos desenhar juntos um lugar que é chamado de casa, algo de certo fizemos


p.s. Calunga cor-de-rosa completa três anos hoje. Viva!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sabedoria da água


Recebi hoje um e-mail da minha amiga Val, que é uma das 100 paneleiras de Goiabeiras.

"Lembre-se da sabedoria da água: a água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."

Sou uma pisciana, afinal.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

tia Dete


Ela vai morrer de vergonha, mas essa foto foi alegria na veia e desejei-a imediatamente aqui.
Porque ela contém cinco preciosidades: tia Dete, turbante, praia, coração de ouro e a sensação de ver seu pai em versão mãe.

(furtada do Facebook da Mila)


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SWU


As bandas não eram cool, o clima já não tinha mais nada a ver com Woodstock.

Tava mais pra Playcenter.

A estrutura era grandiosa, com duas praças de alimentação, x-tudo, yogoberry, temaki de salmão, cerveja Heineken. Tudo muito organizado, uma SimCity da música que prosperou.

Mas cadê aquele festival que me fez descobrir o gosto por acampar? Ficar dois dias tomando banho de gato, comer azeitonas verdes amolecidas pelo calor da barraca, cruzar com um grupo de adolescentes sentado no gira-gira tocando violão no meio da tarde...

No acampamento esse ano tinha hora marcada pra tocar violão, divulgaram um “Coxinhal do camping” com regras como "não usar roupas inadequadas" e "não portar chapinha, secador, notebook e máquina fotográfica profissional".

Tenho de cumprimentar os seguranças do camping. Fizeram seu trabalho com mais eficiência que os seguranças do aeroporto de Tel Aviv.

Jogaram no lixo, na minha frente: meu guarda-chuva, meu saca-rolhas presente do meu pai, meu vinho lacrado, meu pote de azeitonas lacrado, meus amendoins, minhas balas Tubes e minha faca com cabo de peixe (sem serrinha) de Nova Orleans.

O segurança abriu minha nécessaire de maquiagens e remexeu nos meus blushes e batons, tenho certeza que queria jogar algo fora mas teve muito medo de mim.

Afinal, quem acampa é hippie e hippie não pode usar maquiagem, gostar de vinho, de azeitona e andar com guarda-chuva na bolsa. Assim como quem é aluno da USP não pode fazer a unha, secar cabelo e usar blusa da Gap e também participar de manifestos e enfrentar a PM. Ou uma coisa ou outra, esses jovens afinal querem TUDO?

Assim como os alunos da USP, esses jovens que vêm de ônibus até Paulínia escutar Lynard Skynard só podem ser vândalos.

(gente, tenho provas! uma menina chamada Sami apareceu na minha barraca me pedindo uma BOMBA!)

Acho que o SWU só foi legal ano passado por acidente, acho que eles nunca tiveram a intenção de fazer algo legal. Aconteceu. Então vamos consertar logo isso e fazer uma coisa chata.

Este ano estava surrealmente bem-organizado, mas se eu quiser só organização eu vou passear pelos corredores do supermercado Zaffari.

Eu quero pulsação e árvores

Que linda a menina à noite fazendo pose em frente ao hibisco cor-de-rosa, uma das únicas árvores do parque de Paulínia

O negócio é que ouvindo Ghostland Observatory, Duran Duran, Zé Ramalho, Granpa Elliott, ou ouvindo de madrugada na barraca a chuva cair e molhar nosso travesseiro e nossas certezas, acho tudo caótico e irrecusável.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

grito e silêncio


Os processos são silenciosos.
Não se despede do velho e se recebe o novo numa espécie de transe ritualístico porque chegou o dia D. Não sei como são com as noivas, elas me parecem exceção, tão logo se encaixam no vestido branco viram noivas, mulheres incrivelmente belas e naturalmente felizes
mas sei que ninguém se casa no casamento, se forma na formatura, sai do emprego ao sair do emprego ou se separa na derradeira conversa.
Os processos são lentos e silenciosos.
O meu, nessa semana que precede esse dito ano novo astral, tem sido curioso. Porque, se dum lado as palavras agressivas têm-me saído com consoladora facilidade, de outro me sinto mais silenciosa que nunca. Um estranho silêncio. Estou até conseguindo fazer o percurso casa-trabalho apenas ouvindo o rádio, sem falar nada. Hoje foi The Growlers.
Mas o que importa mesmo hoje é que uma noiva muito especial para mim dirá seu sim em Florianópolis.
À ela, meus desejos de que permaneçam sempre juntos e sorrindo em cima desse elefante que eles elegeram o deles!

foto: daqui

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu sinto raiva


Eu nunca fui muito boa em expressar raiva. Sinto, como todo mundo. Não me chega em doses diárias, mas também nem tampouco em mensais.
Sinto, e em vez de reagir com natural agressividade, eu quase sempre choro. Geralmente longe do inimigo, escondido no banheiro, no carro, no quarto.
Sempre agi com estranha sensatez, dizendo no máximo um "não concordo com você", "acho que não é bem assim", corando e indo soluçar longe dali, já em terreno seguro, em minhas próprias cachoeiras.
Deve ser alguma coisa na minha composição, combinada com alguma coisa herdada do meu mil avô, com alguma coisa de criação de pai e mãe.
Afinal, com 6 anos, quando a professora perguntou "o que você faz se um amiguinho briga com você?", eu respondi livremente "ou eu chamo a tia ou eu peço desculpas". Está lá em meu boletim, para eu sempre me lembrar. O que me faz concluir que minha lógica sempre foi a seguinte: é melhor pedir desculpas e ser inocente que ser culpada e me inocentar.
No fim, um medo gigantesco de assumir a responsabilidade de se tornar uma persona non grata.
Fui crescendo e achando que tudo bem, sou assim, até que um dia eu descobri que não. Eu sinto raiva, assim como uma das pessoas mais doces que conheço, meu irmão, também sente, e à mesma pergunta sobre o amiguinho respondeu "eu bato nele".
Tudo bem ser doce e brigar. O que não é legal é fingir que não sente raiva, ódio, desprezo, pena, dó, e ir lá ao banheiro sentir escondido.
No último fim de semana em Pedra Bela, chegamos atrasadas e a reação geral foi achar que tínhamos sido displicentes. Perdemos a roda de apresentação e fomos tomadas de um intenso mal-estar. Em um lugar sagrado onde havia vivido uma sucessão de experiências boas nos últimos quatro anos, pela primeira vez me senti mal. Mas quando os anfitriões vieram me perguntar se estava tudo bem, eu respondi, como se ligada no piloto-automático, sim tudo ótimo. Uma das amigas disse que não estava tudo bem e desabafou sobre o desconforto que estava sentindo. Então largou mão daquilo, seguiu em frente, terminou o trabalho quase esquecida do incômodo inicial.
Acho que a raiva é nossa só até o momento em que nos despedimos dela.
Eu não, passei os dois dias presa àquele sentimento. Segurei até onde pude - passei a última rodada do ritual levantando do lugar e indo vomitar no banheiro.
Aquilo foi uma lição. De como é importante deixar a agressividade sair feito o ar da bexiga que esvaziamos de propósito só para ouvir aquele "tssssshuu".
Perder a ternura de vez em quando.
Qual a medida eu ainda não sei.
Pelo menos já consegui dizer na cara de um manobrista: vá se foder!
E dizer ao árabe do velho mercado de Jerusalém algo que traduzo como "você entendeu errado, sir, não há necessidade de ser grosseiro"
Já consigo mostrar o dedo do meio no trânsito. E minha mãe disse, dia desses, "filha, o que é isso? que descontrole"
Conscientemente descontrolada, a escolha de se descontrolar.

Sim, há meia dúzia de pessoas no mundo que não suporto e não gostaria de ter por perto.
Acho o Fernando Henrique Cardoso detestável, já cheguei perto dele depois de uma palestra e perguntei "por que levantar a discussão da maconha?". Desviou o olhar e disse, mirando o chão, sem qualquer vibração, "é um assunto importante, existem assuntos importantes".
E ainda tem um bafo horrível de café com cigarro.

Minha avó diz que quando escuta a neta dizer à filha "engole esse choro", fica irada. "se você briga com a criança, o mínimo é deixá-la chorar em paz".

Respondendo, por puro acaso, à pergunta da Ju Menz, talvez seja esse o meu maior desejo para 2012: engolir menos raiva.
Se a vida briga com a gente, se a gente briga com a vida, o mínimo que se pode fazer é deixar a raiva sair em paz

Hoje eu penso: o que seria de mim sem as vezes em que rolei no chão puxando o cabelo da Manô, cheia de raiva e vontade?

"O mais bonito que tem é onça Maria-Maria esparramada no chão, bebendo água. Quando eu chamo, ela acode. Cê quer ver? Mecê tá tremendo, eu sei. Tem medo não, ela não vem não, vem só se eu chamar. Se eu não chamar, ela não vem. Ela tem medo de mim também, feito mecê..."

(João Guimarães Rosa)


E por último: este blog é cor-de-rosa, mas não é fofo.

foto: jota

será que...



se existe pão francês quente com manteiga, não seria já essa vida o paraíso?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

novembrina



Eu conheci, em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, uma mulher chamada Novembrina. Mas ela não tinha nascido em novembro.
O mês começou friozinho do jeito que eu gosto, perdi a conta de quantas vezes respondi com um blasé "é, né" à afirmação "o tempo tá tão feio, podia abrir um solzão!", e aquele sorriso grandão de solzão, calor, verão.
Ontem o Bruno apareceu no jardim às 7 da noite esfregando as mãos e disse: que frio, acho que vou voltar pra cama! não dá mais pra saber em que mundo estamos.
Ganhei um colar adorável com caveiras do Día de Muertos, é um colar com alma, como eu acho que são as coisas verdadeiramente mexicanas. Tenho vontade de não desgrudá-lo mais do pescoço.
Escolhi passar a semana comendo uma comida que não me fascina. Não sei por que escolhi, mas deve ser por algum motivo. Está sendo bom
Tem uma coisa rondando minha cabeça, entre tantas. Que é a frase da amiga tão daqui: pare com isso de achar que sua missão é só aqui.
Andei me reapaixonando pelo Giovanna Baby rosa...
Dia desses eu passei em frente à casinha que tanto namorei, havia placa de "aluga-se" de novo. Olhei, olhei, o rapaz perguntou "quer entrar?", eu tinha tempo mas me neguei. Como é que às vezes a gente sabe com tanta precisão quando é a hora de entrar, quando é a hora de não?
Comprei um maiô laranja vintage que é um luxo e vai ser tão irresponsável usá-lo na hidroginástica. Chega de maiô desbotado, vamos tirar o maiô laranja vintage lindo do armário todos os dias, certo?
Hoje de manhã ele disse: sabe que dia é hoje? Começa o inferno astral. Não sei não, Susan Miller estava tão generosa...
Desconfio de frases muito generosas, roupas muito felizes e gente que vai muito ao médico
Mas confio em recados deixados no box do banheiro, no carinho da minha gata & nas jabuticabas geladas. Logo, não sou confiável
Já começamos a pensar no Natal e no Ano-novo. A prima vai para o Taiti!, e a mãe? Ficará muito triste se não participarmos da reza na rua Irlanda este ano? Ficará. Mas o menino Jesus de Belém estará na mesa central, lembrando que estamos ali
Recebi um e-mail de uma ex-colega de trabalho dizendo preciso que você diga pra gente sinceramente qual o seu maior desejo para 2012, tem que ser só um
É mole?
Um dia eu gostaria de voltar a Cambará do Sul

Foto: homens trabalhando na reforma do casarão que abrigará o restaurante Garimpos do Interior, na Lapa, previsto para inaugurar...em novembro.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

i wander



Wander. To move about without a definite destination or purpose. To go by an indirect route or at no set pace. To proceed in an irregular course. To go astray. To lose clarity or coherence of thought or expression.

Como diria o Arnaldo Baptista, "yeah that's me, that's me, that's me"

(só que, como toda pisciana, o que ninguém sabe é que finjo de wander. eu costumo saber aonde minhas barbatanas estão me levando)

obs. existe sinônimo em português?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

guerreiros paraíbas em são paulo



12 horas com elas


Nas primeiras poltronas havia duas senhoras. Uma, crente, com rabo-de-cavalo baixo, cabelo grisalho, viajando ao lado do marido que tinha fala mole e aparecia quase nada. A outra, de óculos e cabelo grisalho batendo no queixo, vi no escuro, mas notei ter olhos vivos e ambiciosos. Como acontece muitas vezes, as duas conversavam mas não se ouviam. O que uma dizia servia apenas de trampolim para a outra dizer alguma coisa, numa egocêntrica aeróbica oral. "Eu já tive uma chácara em Mairinque, eu choro até hoje de lembrar", falava uma, e a outra emendava "eu tive uma chácara em Osasco". "Tenho seis binetos"; "eu tenho 4"; "eu moro perto da Vila Yolanda"; "eu morei no Vila Yolanda sete anos". Não perguntavam mas porque você saiu de lá, mas quantos anos têm os seus netos, eram naturalmente indiferentes à história da outra. Pode ser que voltem para casa mais felizes e contem ao filho "você não sabe a coincidência, viajei ao lado de uma mulher que é paranaense e mora em Osasco", e talvez realmente tenham se alegrado com o encontro. Pode ser o meu espírito neste fim de manhã de segunda, mas achei aquele pano de fundo de um desbotado triste e só triste.

foto: hamsters do playing pet da rua fidalga

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

alcançar escutar


Acho que estou encaretando. Acabei de escrever para uma amiga: que bom acordar cedo, sair do trabalho quando ainda é dia, passear com o cachorro no parque, fazer hidroginástica, passar no mercado, comprar flores talvez, comer um lanche em vez de jantar. E também eu disse: sim, você está certa, fique, fique, tenha paciência, não dá pra trocar isso por aquilo, quando é que se tem uma grana dessas no bolso? Estou considerando a paciência uma virtude de ouro, e foi me cair nos braços a jabuticaba, essa fruta que ensina a esperar. E de repente tudo o que eu dizia há 2 meses me parece justo mas não se ajusta mais aqui, é como se aquela certeza que antes pedia velocidade e pressa continuasse ali grande e se acomodando na poltrona, mas pedindo: vá devagar, que eu te alcanço.

se me veio me é


eu caminho seguindo
o sol
sonhando saídas definitivas da
cidade-sucata

isto é possível
num dia de
visceral beleza
quando o vento
feiticeiro
tocar o navio pirata
da alma
a quilômetros de alegria

(Floresta sacrílega, Roberto Piva)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

semana da jabotecaba


Faz tempo que não tenho um sonho poético, eu penso lendo Adélia Prado. Já tive muitos e um dia desses mesmo uma amiga me contou um obviamente poético.

Há três histórias de jabuticaba que eu não contei:

É pura coincidência, mas acontece que jabuticaba é minha fruta favorita. Sou capaz de recusar um brownie de chocolate e um pote de doce de leite por um punhado de jabuticabas doces e geladas.

A segunda história é de uns 15 ou mais anos atrás. Nas férias de janeiro em Tatuí íamos sentados no braço do trator ou de charrete ou de caminhonete até o sítio do Seu Pedro. Lá brincávamos com os pintinhos (que ele de vez em quando nos deixava levar para o nosso sítio) e comíamos frutas do pé. Lembro da manga e da jabuticaba. Pode conter sonho essa história, mas uma vez eu encontrei uma jabuticaba tão grande, e depois de ver a jabuticaba paulista no Ceagesp eu sei que era ela, uma paulista, e guardei-a na mão escondida pra comer depois. Sentada na caminhonete, mostrei a jabuticaba para meu primo Bruno, ele a roubou e comeu. Foi tão devastador que nunca mais me esqueci da jabuticaba gigante do sítio do Seu Pedro.

A terceira é a história de uma jabuticabeira que vivia num terreno dos Jardins até que um dia resolveram construir o shopping Iguatemi. Iam derrubá-la não fosse pelos pedreiros que trabalhavam na obra. Eles transplantaram a árvore, estimavam uns 50 anos, para sua casa na Lapa. A Lapa virou um bairro chique, venderam a casa, a moça que a comprou a revendeu para Chus & Sérgio, que gostaram dali muito por causa daquela jabuticabeira enorme no quintal. A proprietária disse "quase derrubei essa árvore". Ela empatava sua vida na hora de manobrar o carro.

Um dia terei uma jabuticabeira no quintal pra chamar de nossa (e prometo não ser rancorosa e convidar o Bruno pra comer dela).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

conclusões de terça à noite

Ontem, na degustação de cachaças, a chef fez um comentário legal sobre um blend e o dono da marca disse: "Você não está sendo conclusiva".


Ela rebateu na hora, com espontaneidade e risadas:

"Eu não sou conclusiva".



Para se adotar, não?

Na foto, a mais inconclusiva e encantadora das criaturas: Abacaxi

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

um pouco mais de paciência

Carlinhos encontrou a canoa cheia d'água e, com um pedaço de garrafa improvisado que me lembrou aqueles potes cônicos que usamos para pegar pó de café e arroz, pôs-se a esvaziá-la. Agachado, e eu de pé, olhando. Pensei que o utensílio era pequeno demais para esvaziar uma canoa cheia e quase impacientemente sugeri que tentasse achar um outro mais diplomado, talvez um balde? Mas, congelada naquele quadro - o manguezal, o homem pintando a canoa de trás, o barco para seis pessoas tão amado por Carlinhos estacionado ali ao lado,  o sol dourando o novo galpão asséptico das paneleiras -, não consegui dizer nada. Ficamos os dois ali uns 7 minutos, eu de pé e ele agachado. E de tudo que vivi em Vitória em longos um dia e meio é curiosamente esse o momento que mais me vem e me volta à cabeça uma semana depois. Eu vi naquela canoa uma tempestade, ele viu uma chuva de verão.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma cena: estou subindo a rampa do aeroporto de Vitória, levando um carrinho com dois caixotes de papelão com quase uma dúzia de panelas de barro. Bem em frente, colada em mim de um jeito que era preciso vigiar os tornozelos, uma mulher leva um carrinho com duas crianças se divertindo muito. Está claro, minhas panelas são meus filhos, pensei. Sorri. Me pareceu certo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bate e volta

Dois dias em território capixaba, onde tinha pisado pela primeira e única vez há 11 anos, em janeiro do ano 2000. Praia da Barra, em Marataízes. Uma menina de regata rosa e branca tie-dye e coragem suficiente para dizer à amiga, as duas sentadas na beirada do pier balançando as pernas: não quero ficar aqui 15 dias, vou embora. E fui. E então que numa quarta-feira qualquer (não qualquer, véspera de Primavera e, segundo o colunista de vinhos, o dia mais bonito do ano em Buenos Aires, quando as pessoas distribuem flores & taças de champanhe). Voltei ao Espírito Santo. Conheci o belíssimo Vale do Mulembá, verde e molhado; apertei o pé escalando raízes do manguezal para fotografar de perto a casca do mangue vermelho se soltando com o macete; fui paciente com um taxista muito lesado. E de novo e como sempre saí da cidade pensando em como se pode viver longe do mar. Não precisa nem ser bonito (não era). Não precisa nem fazer calor (melhor que não). Almoçando moqueca olhando o mar, com o vento refrescando os ombros, senti como se estivesse num lugar exótico e improvável, mas era só Vitória. E pensar que eu já passei quase um mês  em Alagoas e outro no Ceará e passei por lugares realmente exóticos e improváveis. Mas o coração batia em ritmo de urgência. Almoçar olhando o mar em Vitória, não, não tinha urgência, ou talvez tivesse, mas eu não tinha, eu cada vez menos tenho. Só uma. Não tem aquele poema do Eugenio de Andrade? (...) é urgente permanecer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

carta para Deborah

Que andei todos os dias pelas vielas da Cidade Velha e não me cansei, que ficaria ali mais pelo menos 10 dias perdida entre aqueles bairros com separações virtuais. Que acho que foto nenhuma consegue transmitir pra gente o que é aquilo, o que é estar naquele redemoinho, naquele miolo onde você toma um café árabe forte como um rojão e descobre como pode ser na mesma proporção exaustivo e excitante negociar o preço de uma mercadoria.

Onde você vê um bebê de quipá comendo Cheetos, senhoras muçulmanas pedindo esmola na entrada do Muro das Lamentações e moças judias com seus 25 anos e três filhos a tiracolo, judeus ortodoxos que não te cruzam o olhar vestindo preto sem derramar uma gota de suor.

E de repente parece só mais um comerciante que te dirige um olhar sedutor, pergunta de que país você é e diz: "Entre, você gostou desse? Por favor entre, aqui dentro tem muito mais". Mas por alguma sorte entramos, e lá estava a pessoa mais extraordinária que conheceríamos em 9 dias de Jerusalém, o joalheiro marroquino Omar que, entre muitas outras coisas, tem em sua loja uma cisterna de 2 mil anos e nos deu uma aula sobre jóias & cordialidade.

O Monte das Oliveiras tem gosto de primeiro, foi a primeira vez que vi azeitonas no pé e entendi que essa viagem não seria um passeio.

Boiamos no Mar Morto e ficamos embasbacados com a existência de beduínos em todo o trecho da desértica estrada. Comprei lama e um creme espetacular de vanila com sais minerais do Mar Morto onde não está escrito em lugar algum da embalagem Dead Sea, mas como contestar em hebraico?

Passeamos pela Galileia, conhecemos as ruínas de Kafarnaum, a casa de Pedro, a Igreja do Sermão da Montanha. Na Igreja das Bodas, em Cana (Caná) quis interromper um casamento para que o padre nos abençoasse, mas ele foi mais sensato - como quase sempre - e me impediu. Acabamos acendendo uma vela, levando três microvasos de cerâmica e um lenço transparente e brilhante que enrolei na cabeça e foi a foto que minha mãe mais gostou.

O Santo Sepulcro é pesado, mas foi lá que um padre ortodoxo me benzeu e benzeu o santinho do meu pai trazido dali há mais de uma década, pela nonna.

Belém é autêntica, alto astral, maravilhosa e palestina. Me ajoelhei e rezei no canto onde teria nascido Jesus, rimos da loja fajuta Stars&Bucks, onde não me perdoo por não termos tomado um café, e ficamos assustadoramente 1 hora para deixar o muro que separa a cidade de Israel. Acho que nunca vou esquecer: ele indo buscar sorvetes de frutas enquanto eu fotografava, do ônibus, o céu com mil bandeirinhas da Palestina. Naquele momento, ficou claro: estávamos em outro país.

No Muro das Lamentações, me arrepiei todas as vezes e chorei todas as vezes. Deixei bilhetes, ganhei uma saia para cobrir os joelhos, cumpri o ritual, observei Roberto Carlos rezando e sendo bajulado pelo rabino mor dos lugares sagrados de Jerusalém.

Nos últimos dias, num impulso pegamos um ônibus para Tel Aviv e caímos, por acaso (atrás do cara que ia arrumar as rosas do Roberto) numa espécie de Ceagesp de Tel Aviv, o shukri Ha'Carmel. Lá vi as maiores tâmaras, comemos o melhor sanduíche de cordeiro e a limonada fajuta mais providencial.

Que mar tem Tel Aviv, que mercado foda de antiguidades tem Yafo!
Trouxemos um velho rádio de tape para o fusca e um móbile enferrujado com bons presságios.

O presente mais legal para nossa casa foi o tapete da loja de Omar.
Num futuro, talvez as lâmpadas mágicas de Aladim.
Abacaxi acha que o (outro) tapete novo, o do corredor, é dela e se esconde embaixo dele para nos dar tremendos sustos.
O Menino Jesus repousa em uma manjedoura de concha na estante nova.
O doce telefonema da minha avó dizendo que os presentes mais especiais foram os de Jerusalém.
A melhor comida foi o arroz amarelo com cordeiro no iogurte e salada de pepinos do Abu Taher.
Ganhei um colar de âmbar que não tirei do pescoço e no último dia fui saber o que ele significa (e se fosse mais discreta guardava pra mim como um segredo egoísta).
Toda vez que eu me ensaboo com o sabonete de romã da loja de temperos eu imagino a jovem mulher muçulmana que voltou à loja de temperos só para buscá-lo se ensaboando também.
Minha casa está cheirando a zaatar até hoje.
Eu não sei mesmo explicar por que, mas de alguma forma voltei de Jerusalém mais em paz.

Dois arrependimentos: deixei de comprar um lenço de seda com pavões costurados em miçanga, e disso me arrependi já de volta ao quarto de hotel.
Não comi as tâmaras medjool mais bonitas de Israel.
Mas como me disse um guia turístico em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, vendo minha frustração frente à neblina teimosa cobrindo os cânions, quando algo assim acontece é a cidade te chamando de volta algum dia.

E minha correntinha de S. Bento caiu minutos antes de eu deixar a cidade, minha proteção, mas ele me conformou dizendo que se caiu é porque tinha carga pesada nela e tinha que ficar ali.
É nessas horas que todo desentendimento se dissolve como açúcar em água e eu entendo o que uma vez vi num filme bobo: num álbum de fotos, estamos sempre sorridentes. Mas são os momentos difíceis que ligam uma foto e a outra e a outra.

Termino como Roberto Carlos começou aquele show que me encheu de alegria de menina: a Jerusalém, minha reverência.

foto: claudia schembri

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sampa




Cinco minutos no Largo S. Bento e meia dúzia de fotos que só me fazem sentir São Paulo tu és bela. Às vezes só o que falta é um filtro.

domingo, 28 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sumé



É de lá que veio uma pessoa das minhas preferidas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Uma história das irmãs de General Carneiro


Era aos domingos. Atravessávamos como dois gafanhotos o portão de ferro da casa do Morumbi e antes de cumprimentar o nonno e a nonna corríamos para os braços delas. Neri & Maria. Dormiam na parte de baixo da casa, em uma área de serviço porém agradável, com varanda e alguma luminosidade.

Cheiro de ameixa, leite, velhinhas com adoráveis vestidos florido-apagados de domingos nublados. Era puro amor. Nos abraçavam forte, eu e meu irmão, lembro do rosto sorridente da Neri, tinha cabelos belos e ásperos ainda não totalmente grisalhos apesar da avançada idade. Parecia-me que me olhar era sua maior felicidade, e choro sem dor e sorrindo muito grata por essa forma de amor que aprendi com ela.

Religiosamente nos entregavam balinhas de leite da Kopenhagen e R$ 20 para cada um, era uma fortuna, sustentou nossos álbuns de figurinha e nossas sessões de cinemas com casquinhas de chocolate do Mc (eu preferia as mistas, mas achava que era uma pessoa do chocolate e precisava ser coerente). Não me lembro de um domingo em que saímos de lá sem bala e sem mesada.

Preparavam os melhores pratos do mundo, uma lasanha de berinjela que era receita da nonna e a tia Tica disse que vai ensinar-me, polpetas que à época eram porpetas, o 'erre' bem puxado de italiano da Mooca. Depois do almoço elas vinham nos trazer no jardim, enquanto procurávamos tatus-bolas para experimentos infantis, leite condensado com granulado de brigadeiro, em xícaras de café.

Sotaque caipira, com os 'erres' carregados e dieta de 'esses'. Só hoje é que fui saber onde nasceram as irmãs: em General Carneiro, uma das cidades mais frias do Paraná.

Gostavam de praguejar, e eu, seguindo o exemplo de minha mãe, procurava palavras com efeito reverso. Neri se queixava da saúde, eu respondia "Neri, você ainda vai me ver entrar na igreja!". Ela engrandecia, alegrava, e perguntava "será que eu vou?" acreditando muito que sim. Lembrando da promessa, Maria, já com seus 90 anos, já sem Neri ao seu lado, já morando na casa de Itu, me bordou um enxoval. Como dizer que eu já não pensava em me casar? Não disse. Beijei-lhe a testa, acariciei sua mão com dedinhos tortos e veias saltadas e sentenciei: é lindo. A vida se encarregou de explicar o resto.

No mês passado, poucos dias antes de partir, Maria falou à amiga Neusa que se viesse a faltar, as fotos eram dela. As fotos as quais se referia eram fotos minhas, do Marco e do Lucas que tinha penduradas na parede do quarto desde os anos de Morumbi. Mudava de casa, mas não mudava as fotos de lugar. Pequena Nana de chapelinho branco com uma mosca na aba e expressão invocada.

Maria considerava aquelas fotos seu maior patrimônio. Chorei. Chorei apertando suas mãos no hospital de Itu porque sei que muitas vezes lhe faltei. Pelo menos deu tempo de dizer, olhando fundo em seus olhos sem óculos: o amor que eu tenho por você e pela Neri é amor mesmo que tenho pela nonna, está me ouvindo, Maria?

Em Jerusalém, acenderei duas velas no centro da igreja mais bonita para aquelas que nunca me faltaram; me ensinaram o valor das balas de leite e do dinheiro, e deixaram para sempre meus domingos encantados.

foto: daqui

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


"Torna-te aquilo que és"

Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Y Dale Alegría A Tu Corazón

Y dale alegría, alegría a mi corazón
es lo único que te pido, al menos hoy,
y dale alegría, alegría a mi corazón
y que se enciendan las luces de este amor.

Y ya verás como se transforma el aire del lugar,
y ya, ya verás, que no necesitaremos nada más.

Y dale alegría, alegría a mi corazón
que ayer no tuve un buen día por favor,
y dale alegría, alegría a mi corazón
que si me das alegría estoy mejor.

Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán,
y ya, ya verás, que no necesitaremos nada más.

Y dale alegría, alegría a mi corazón
es lo único que te pido, al menos hoy,
y dale alegría, alegría a mi corazón
afuera se irán las penas y el dolor.

Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán,
y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán,

y ya, ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán,
y ya, verás, que no necesitaremos nada más.

*Fito Páez

ladeira tim maia








segunda-feira, 8 de agosto de 2011

hola que tal?


Hoje aconteceram três das melhores coisas do mundo: tomei canjica no café da manhã, acordei com minha gata me lambendo o rosto e fiz com que ele sorrisse em um fim de manhã tormentoso - enrolei um lenço azul e verde na cabecinha dela, imprevistamente imóvel, comportada, e disse vem ver a Abacaxi, nossa gata virou muçulmana. Então, bom, é certo que o fusca está dando trabalho, e que preciso de mais trabalho, e que não gosto de dias demasiadamente quentes e ensolarados (especialmente quando pela Lei do Clima deveria fazer frio), mas ainda tomei um capuccino gostoso na loja de tecidos e fiz amizade com a barista. Linda só toma café coado Três Corações, e mesmo assim descobriu um jeito de tirar o melhor café expresso cremoso. Porque gosta de fazer as coisas bem feitas e felizes, naturalmente. Amo Lindas.
E calhou que há exatos três anos, no meio da Marginal Tietê congestionada, ela escutou: garota, você quer namorar comigo?
Bom dia para voltar ao Calunga, com teias de Neide.

Foto: Neide Rigo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

arnaldo


Arnaldo Baptista postou no Twitter "eu sou feliz" e linkou essa ilustração.

*copyright Arnaldo Baptista. Todos os direitos reservados.

presente


Pesquiso 'João Guimarães Rosa' na caixa de e-mail e acho uma conversa com a Pó, em agosto de 2008, dois meses antes de estrear o blog

"eu: o que vc acha de um blog chamado Calunga Cor-de-rosa?"

cada coisa no seu tempo, cada chuva no seu céu, cada fruta no seu pé. às vezes leva dois meses, às vezes um dia, às vezes três anos

e por hoje é só, que doce a gente come de pouquinho

tô lenta aqui, mas it's alright

sexta-feira, 17 de junho de 2011

melado de cana com farinha


É amor verde.
Tá crescendo no pé, deixa a gente tomado por aquela alegriazinha de ver o rosa do limão lá de longe, da varanda da casa.
Amor verde, músicas desconhecidas e improváveis com as mesmas velhas notas.
Rapaz tocando viola caipira lá no fundo do restaurante gaúcho, e você sozinha comendo abóbora camarelada com arroz e feijão completamente excitada. Amor novo é solitário, pode-se viver um amor novo ao mesmo tempo, mas nunca junto.
Montes de borboletas juntas saindo pelos olhos, amor verde é avó, uma bemquerença de vó que te invade e faz você achar o mundo certo só porque às 20h30 nós chegamos e ela vai estar lá, com os olhos vermelhos de quem acabou de acordar.
Cheiro seu pescoço cheirando a nenê, beijo sua barriga com pelos curtos de gata borralheira e deixo que me faça carinho no rosto mesmo que em algum dia venha a me machucar com suas unhas afiadas.
Em segredo, às vezes lasco um pedaço de queijo meia-cura e te observo comê-lo com prazer e gula comedida.
Faz um movimento esquisito e absolutamente charmoso quando, durante a brincadeira de esconde-esconde, nós nos aproximamos.
Tem rinite e sabe-se lá por que, levanta-se do pé da cama e sempre vem espirrar perto de nossos rostos.
Antes de beber água, afunda a patinha e dá uma lambida nela, como se cheirasse a taça de vinho.
E quando três dias depois você conseguiu devidamente eliminar a fitinha do Bonfim roxa que comeu, chorei de alívio, alegria e raiva por Ó céus quanta preocupação. Essa parte da alegria eu não sabia.
Amor verde consegue ser doce, cremoso e vermelho. Porque é novo, e o que é novo pode tudo.
(graças a deus existem máquinas de lavar, banhos de mar, cachoeiras, tendas a vapor e abraços)
Amor destamanhado, amor novo é um desafio aos físicos, ache um recipiente aqui, em Roses ou em Marte que o comporte.
Amor novo não tem tamanho nem quantidade muito menos nome e, com esses olhinhos, precisa?
Mas tem gosto, e eu diria que hoje está pra leite condensado com nescau, pra citar uma guloseima burguesa, ou melado de cana com farinha, que esse é o certo, e esse post não podia chamar diferente.
Piuí-Abacaxi, nossa mais que amada.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

As Pontes de Torres


Era noite, dormia no salãozinho e me deu vontade de buscar alguma coisa dentro de casa. Mas a escuridão não me impediu de atravessar o jardim escuro e fui andando sorrindo com os braços erguidos, tateando o ar para evitar esbarrões. E cheguei. Acordei feliz, é raro não sentir medo em sonhos (quantas vezes não inconscientemente me tranquei no banheiro daquele mesmo salãozinho, afungentada por cachorros invocados). Mas nesse sonho, não, não pensei duas vezes e atravessei. Em fevereiro, atravessei a ponte pênsil que interliga os litorais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e atravessei a fronteira dos 20 e poucos para os 20-e-bem-feitos. Aí fiz uma mistura boa (tipo a de ontem na panela, queijo brie, shiitake, manteiga e uma pimenta do reino que não deveria estar ali e foi perfeita). Pensei um sonho é impreciso e desconfiado como uma ponte pênsil, que é sustentada por cabos e tirantes, mas faz o diabo, faz a gente atravessar em segundos estados imaginários.

Ilustra: Linn Olosfsdotter

terça-feira, 31 de maio de 2011

para animar a terça-chuchu



"De repente, só por causa de um algodão-doce com flores, me animo e acredito"

(Nina Horta)

foto: Ladybird

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sir Brigadeiro


Coisa de morar na mesma rua que a avó: um dia, eu e minha prima tivemos um surto de vontade de brigadeiro e como não havia leite condensado na dispensa apelamos para a vovó. Caminhamos 7 minutos até a casa da rua Irlanda e inesperadamente não havia vovó nem tia nem ninguém ali (nem chave debaixo do capacho). A Manô, que sempre foi mais destemida e pé-de-moleque que eu, não desistiu. Saltou o portão de ferro e, toda suja e feliz, apareceu com a lata.

Não sei o que me deu mas eu, que nunca tinha tocado num fogão, decidi que seria a responsável pela preparação do pontífice dos doces brasileiros, el Brigadeiro. Não sei se é mais uma daquelas falácias da minha memória, mas lembro com nitidez da expressão da Manô quando me perguntou: "Você sabe fazer? Tem certeza?". Tenho. Não sabia, mas meu, era manteiga, leite condensado e chocolate em pó – não podia dar errado.

Vinte e cinco minutos depois, ela invadiu a cozinha e estranhou que eu ainda estivesse mexendo a panela. Meus braços doíam e o rosto esquentava. "Que que é isso? Você queimou todo o brigadeiro!". Queimei. Ficou intragável de um jeito que você levava à boca e tinha que cuspir imeditamente porque em 3 segundos virava uma bolota dura com gosto de nada. A Manô ficou tão brava, gritava que tinha se sujado e machucado as canelas para pegar a lata na vovó, e tinha sido tudo à toa, e como que eu tinha garantido que sabia fazer. Ainda estava com o rosto preto de sujeira, o que conferia dramaticidade à cena.

Após tempos traumatizados pela vil experiência do brigadeiro queimado, no ano passado decidi enfrentá-lo. Comprei os ingredientes e um dia perguntei aos meninos, depois do peixinho frito de sábado, se eles não queriam o doce. Postei-me em frente ao fogão e raciocinei que, se havia deixado queimar em 25 minutos, o tempo ideal deveria ser metade disso. Deixei 10 minutos, esfarelei bolacha maisena, adicionei morangos e finalizei com uma bola de sorvete de macadâmia.

A receita agradou tanto que não só foi aprovada, mas batizada - Fragolone é o seu nome. Virou tradição. Que jucundo prazer servir quem você ama de brigadeiro quente, que vaidoso prazer o dia em que ouvi dela “ninguém faz igual ao seu”.

Mesmo assim não relaxo, toda vez que me levanto para fazer brigadeiro fico pensando que ele vai queimar – e não tem uma vez que o cheiro não me avive a lembrança do hilário episódio compartilhado com a Manô.

Acho que lição de brigadeiro queimado deveria estar em panfletos de auto-ajuda: cozinhar qualquer coisa em excesso é prejudicial à saúde.


Foto: do blog Alma Obesa

terça-feira, 24 de maio de 2011

juquinha


Foi encantamento à primeira vista. A foto é do Ademir Assunção, o Pinduca, e está lá no blog dele.