segunda-feira, 13 de abril de 2009

Síndrome Poppy


Foi ontem. A cabeça doía mesmo depois do remédio, o que me fez ter a penosa certeza: sim, é uma enxaqueca. Cheguei de Tatuí feliz com minhas botinas, almoçamos no velho restaurante do bairro e a dorzinha continuava lá, tímida mas tremendamente espaçosa, presente, à espreita de uma oportunidade para avançar com seu bando como avançam os pássaros em Serra Negra. Deitei um instante e nada, aí concluí qual seria o desfecho. Quer saber? Eu vou ao cinema. Simplesmente Feliz. Claro que a ideia não foi das melhores, o que ficou claro nos últimos dez minutos de filme (o que ficou mais claro após a noite em claro). Mas o esforço para me manter sentada em frente àquela gigantesca tela luminosa e barulhenta com a cabeça brincando de gangorra valeu cada aguda pontada.

Hoje me imaginei batendo um papo com a Poppy. E aí, Poppy, tudo bom? "Você é brasileira? O que é mais legal de ser brasileira?", ela perguntaria, e com certeza diria que o Rio de Janeiro é uma beleza, mas saberia do poder das espelunquinhas muy blancas y muy graciosas lá do norte. Poppy, você nasceu em Londres? "Uau, o céu da sua cidade é meio cor-de-rosa!". É poluição, Poppy, sujeira, sabe? "Dá pra andar de bicicleta nessa avenidona ao lado do rio?". Por quê você ama tanto aquela bota? "Hmm, de qual bota você tá falando?". Você nunca mais encontrou o Scott? Ela esboçaria um sorriso, os olhos brilhando, o cabelo enroscando nas argolas vermelhas.

Hoje, quando tentava justificar que parecia bem-humorada mas que na verdade estava um pouco intolerante, ouvi: "Você está muito engraçada! Desculpa, mas sua irritação não convenceu". De agora em diante, quando for incompreendida, vou alegar que é a Síndrome Poppy.

Um comentário:

Georgia disse...

é isso amiga!!!
se for pra ficar com síndrome, que seja a da Poppy!!
amo