terça-feira, 17 de abril de 2012

bob dylan em copacabana ou what the hell



Meu primeiro disco do Bob Dylan foi o 33.  Together Through Life, o trigésimo terceiro álbum em estúdio. Acho que escutei pela primeira vez no carro, indo pra Ibiúna, daquele jeito desencanado, um pé em cima do porta-luvas e as lojas de móveis rústicos e os campos de brócolis como toile de fond (para usar uma expressão que aprendi hoje em francês).  Beyond Here Lies Nothin começa, "tãn-tãn-tanãnãnãnãnã", caramba, não podia haver lugar melhor para ouvir Beyond Here Lies Nothin pela primeira vez. Passei muitos dias saboreando cada música do CD, umas mais gulosamente que outras, e assim tardiamente descobri Bob Dylan. Da mesma maneira que demorei para descobrir outros músicos que me tocaram fundo, como Teresa Salgueiro e os malucos do Pixies e do Radiohead. Aí no último domingo a gente nem tinha começado a digerir o habitual espaguete com funghi e camarões da La Trattoria quando, na avenida Nossa Senhora de Copacabana, esbarramos no Dylan. Nós encontramos Bob Dylan andando em Copacabana. Um pouco apressado, vestido de maneira bastante inconveniente para o calor de 30 graus, o Dylan. Eu tinha falado antes para ele, "acho que reconheceria o Dylan pelas botas", e foi assim mesmo, olhei para o outro lado da calçada e vi um sujeito de gorro com uma cabeça meio grande e a franja meio palha saindo para fora, instintivamente passei para os pés e vi aquelas botas pretas de cowboy. É claro que não cogitei que fosse o cara, mas não podia deixar de comentar: "meu, aquele cara ali, de gorro, parece o Dylan". O que aconteceu depois e depois e depois deve ter durado uns 3 minutos no total, mas deu tempo de ser xingada de "paparazzi"(assim, no plural) por Bob Dylan, de ouvir alguém recomendar ao Dylan um prato de massa na velha cantina da Av. Atlântica, de perguntar ao Dylan "enjoying Rio?" e ouvir um "I like it" como resposta, e de abraçar o Dylan para fotinho durante uns segundos que pareciam longos minutos como se entrada, prato principal e sobremesa, enquanto o fotógrafo tentava arrumar o foco. Beyond here, nothin.


foto: Jotabê Medeiros

Um comentário:

Boleiro disse...

Hey! Descobri seu blog por acaso, navegando na net!! Nossa você é a pessoa da foto ao lado do Dylan? Que façanha, sou fã do Dylan mas nunca consegui encontrar com ele, não tive essa sorte de estar no lugar na hora certa! Valeu!! No Brasil conheci apenas tres mulheres que gostavam do Dylan! Boa sorte! Forever Young!! Meu nome é Osny Arashiro!