terça-feira, 4 de dezembro de 2012

moça ou senhora


Hoje na casa de câmbio A maior rede de casa de câmbio do país, "porque confiança é uma moeda que nunca desvaloriza no mercado", eu era a primeira da fila. O rapaz do outro lado do vidro me olhou e disse "espera aí que já vão te chamar". Quando a luz piscou com o número do caixa 4, me dirigi a ele, sentei e esperei meus R$ 190 concentrada no peculiar corte de cabelo do atendente, uma coisa assim Justin Bieber da Paraíba. Enquanto isso, o tempo todo uma senhora jovem usando um vestido indiano cor de vinho permanecia em pé e imóvel bem atrás de mim. Era incômodo. Eu ia perguntar "oi, o que você deseja?", mas achei que ela era apenas um ser muito apressado como qualquer paulista já foi um dia e deixei quieto. Até que depois de 20 minutos aguardando a troca de dinheiro o rapaz do caixa pediu "espera só mais um pouco que já tá sendo autorizado" e foi a deixa para ela grosseiramente se colocar na minha frente e dizer a ele, ignorando minha presença: "Moço, então, a senha que você chamou foi a minha, então você chama de novo por favor, porque essa mocinha passou na minha frente". Eu virei pra trás e disse sem me enervar ou gaguejar: "Oi. Minha senhora, eu não passei na frente de ninguém, eu fui a primeira a chegar. O rapaz indicou que me dirigisse ao caixa e eu apenas fui, não disse nada sobre a necessidade de pegar uma senha. E deixe de ser deselegante e vá esperar sua vez, por favor". O rapaz que havia me dado a instrução por coincidência apareceu no guichê bem na hora, falou "ela chegou primeiro" e foi embora, ignorando a confusão estabelecida. A senhora, meio sem graça, voltou à cadeira de espera e ficou mais uns 10 minutos reclamando "da mocinha que passou na minha frente" com sua amiga. Me deu vontade de levantar e repetir a história, mas a verdade é que eu me toquei: eu estava errada. Eu não peguei senha, eu fui na senha dela. Mas, ao mesmo tempo, eu estava certa: eu apenas segui a ordem do funcionário da casa de câmbio. O certo e o errado são dois remos da mesma canoa. Não tem observador que os enxergue em movimento igual. Depende da margem de onde se olha.

Nenhum comentário: