
Eu adoro sair por aí tirando fotos. Seria mais prático se tivesse uma máquina bacaninha pequena, mas já me acostumei a levar a grandona para tudo quanto é canto.
Comecei a fotografar mais depois que fui pra Cordisburgo com uma máquina emprestada da PUC, fiz umas fotos da doceira d. Xêra e saiu em uma matéria que publiquei no jornal. Uau, fiquei feliz da vida. A d. Xêra na pagininha com sua cesta de figos cristalizados, sorrindo, olhando para os doces.
Até hoje não sei como o professor me emprestou a máquina (a Eulina, assistente, ficou indignada, não acreditava), eu não fui em suas aulas o que se pode chamar de uma aluna exemplar (gostava de fotografar, mas passar horas naquela salinha escura apertando mihões de botões em uma determinada ordem, em um determinado tempo não era minha praia). Pois emprestou, e meses depois resolvi comprar uma igual. Teve também a história da astróloga. De acordo com seu mapa, ela disse, você deveria seria fotógrafa ou cineasta.
Fui em uma manhã de sábado até a rua 7 de Abril, no centro, uma manhã dessas libertárias porque a gente decidiu que era. Não errei o caminho, nem para ir nem para voltar.
No domingo, meus pais me levaram até a Praça do Pôr-do-Sol e estreei a bichinha.
Um ano pagando, um quase-roubo, areia, areia, que botão é esse? que que eu fiz?, sorrisos, beijos os mais doces e um saco de guardar sapato.
- Pai, onde eu guardo a máquina? Aquelas mochilas são muito caras.
- Guarda num daqueles sacos de sapato, sabe?
- Pirou, pai? Claro que não.
Depois:
- Professor, sabe o que eu notei? São caras as bolsas para guardar máquina. O que eu faço?
- Guarda num daqueles sacos de sapato.