segunda-feira, 27 de julho de 2009

urgente


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

(Eugênio de Andrade)

Quadro: Oswaldo Guayasamín

2 comentários:

pedro geraldo disse...

ando xeretando por aqui. não te conheço. entro por aqui de pés descalços, respeitando, barulhos e silencios. minha surpresa foi ler esse poema, que julgava só de minhas predileções, a ponto de tê-lo como um oráculo,meio seicho-no-ie. valeu a semana. fique em paz

nana disse...

Puxa, Pedro. Que comentário bonito. Obrigada, obrigada! Achei o poema por acaso, no dia em que precisava achar. Venha sempre! E que a gente siga em paz.